sábado, 19 de fevereiro de 2011

OS 7 PECADOS


Certo dia um casal ao chegar do trabalho encontrou algumas pessoas dentro de sua casa. Achando que eram ladrões ficaram assustados, mas um homem forte e saudável, com corpo de halterofilista disse:
- Calma pessoal, nós somos velhos conhecidos e  estamos em toda parte do mundo.
- Mas quem são vocês? perguntou o casal.
- Eu sou a Preguiça, respondeu o homem. Estamos aqui para que você escolha um de nós para sair definitivamente da vida de vocês.
- Como pode você ser a preguiça se tens o corpo de um atleta que vive malhando e praticando esportes? indagaram.
- A preguiça é forte como um touro e pesa  toneladas nos ombros dos preguiçosos, com ela ninguém pode chegar a ser um vencedor.

Uma mulher velha curvada, com a pele muito enrugada que mais parecia uma bruxa disse:
- Eu meus filhos, sou a Luxúria.
- Não é possível! Disse o homem da família - você não pode atrair ninguém com essa feíura.
- Não há feiura pra a luxúria, queridos? respondeu - Sou velha porque existo a muito tempo entre os homens, sou capaz de destruir famílias inteiras, perverter crianças e trazer doenças para todos até a morte. Sou astuta e posso me disfarçar na mais bela mulher ou homem que você já viu.

Um mau cheiroso homem vestindo uns maltrapilhos de roupas que mais parecia um mendigo disse:
- Eu sou a cobiça, por mim muitos já mataram, por mim muitos abandonaram famílias e pátria, sou tão antigo quanto a Luxúria mas eu não dependo dela para
existir. Tenho essa aparência de mendigo porque por mais bem vestido que apresento, mais rico que apareço, com jóias, dinheiro e carros luxuosos, ainda assim me verás, porque a cobiça está tanto para o pobre quanto para o rico.

- E eu, - disse uma lindíssima mulher com um corpo escultural e cintura finíssima, seus contornos eram perfeitos e tudo no corpo dela tinha harmonia de forma e movimentos - Sou a Gula. Assustaram-se os donos da casa dizendo:
- Sempre imaginamos que a gula seria gorda.
- Isso é o que vocês pensam - respondeu ela - Sou a bela e atraente porque se assim não fosse seria muito fácil se livrar de mim. Minha natureza é delicada, normalmente sou discreta, quem tem a mim não se apercebe, mostro-me sempre disposta a ajudar aqueles que querem fazer regimes mas na verdade faço tudo ruir de maneira sutil. Destruo o prazer de viver e destruo a beleza do corpo.

Sentado em uma cadeira a beira da casa, um senhor também velho mas com o semblante bastante sereno disse com voz doce e movimentos suaves:
- Eu sou a Ira alguns me conhece como cólera, tenho muitos milênios também. Não sou homem nem  mulher assim como meus companheiros que estão aqui.
- Ira ? Parece mais o vovô que todos gostariam de ter - disse a dona da casa.
- E a grande maioria me tem - respondeu o vovô - Matam com crueldade, provocam brigas horríveis e destróem cidades quando me aproximo.Sou capaz de eliminar qualquer sentimento diferente de mim, posso estar em qualquer lugar e penetrar nas mais protegidas casas. Mostro-me calmo e sereno para mostrar-lhes que a Ira pode estar no aparentemente manso. Posso também ficar contido no íntimo das pessoas sem se manifestar, provocando úlceras, câncer e as mais temíveis doenças.

- Eu - disse uma jovem que ostentava uma coroa de ouro cravada de diamantes, usava braceletes de brilhantes e roupas de fino pano, assemelhando-se a uma princesa rica e poderosa - Sou a Inveja - Faço parte da história do homem desde de sua aparição.
- Como inveja, se é rica e bonita, parece ter tudo que deseja. - disse a mulher da casa.
- Há os que são ricos, os que são poderosos, os que são famosos e os que não são nada disso, mas eu estou entre todos, a inveja surge pelo que não se tem e o que não se tem é a felicidade. Felicidade, depende de amor, e isso carece na humanidade. Por causa de mim, muita destruição já houve, mortes e sofrimento, onde eu estou está também a tristeza.

Enquanto os invasores se explicavam, um garoto que aparentava cerca de 5 a 6 anos brincava pela casa.
Sorridente e de aparência inocente, característica das crianças, sua face de delicados traços mostravam a plenitude da jovialidade, olhos vívidos e enigmáticos, parecia estar alheio aos acontecimentos quando foi indagado pelo casal.
- E você garoto, o que fazes junto a esses que parecem ser a personificação do mal?
O garoto respondeu com um sorriso largo e olhar profundo.
- Eu sou o Orgulho.
- Orgulho?? estupefou-se o casal - Você é apenas uma criança, tão inocente como todas as outras.
O semblante do garoto tomou um ar de seriedade que assustou o casal, e ele disse.
- O orgulho é como uma criança mesmo, mostra-se inocente e inofensivo, mas não se enganem, sou tão destrutivel quanto todos aqui , quer brincar comigo?

A Preguiça interrompeu a conversa e disse.
- Vocês devem escolher quem de nós sairá definitivamente de suas vidas.
Queremos a resposta.
O casal respondeu.
- Por favor, dêem 10 minutos para que possamos pensar.
O casal se dirigiu para o quarto onde dormem e lá fizeram várias consideração. Dez minutos depois retornaram.
- E então? perguntou a Gula.
- Queremos que o Orgulho sai de nossas vidas.
O garoto olhou com um olhar fulminante para o casal, pois queria continuar ali. Porém respeitando a decisão dirigiu-se para a saída. Os outros iam acompanhado o Garoto quando o casal perguntou.
- Ei, vocês vão embora também?
O Menino, agora com ar de severidade e com a voz forte de um orador disse.

- Escolhestes que o Orgulho saísse de vossas vidas, fizeram a melhor escolha. Pois onde não há Orgulho, não há preguiça, pois os preguiçosos são aqueles que se orgulham de nada fazer para viver não percebendo que na verdade vegetam. Onde não há orgulho não há Luxúria, pois os luxuriosos tem orgulho de seus corpos e julgam-se merecedores de possuir os corpos de tantos quantos lhe provir, não percebendo que na verdade são objetos do instinto. Onde não há orgulho, não há Cobiça, pois os cobiçosos tem orgulho das migalhas que possuem , juntando tesouros na terra e invejando a felicidade alheia, não percebendo que na verdade são instrumentos do dinheiro. Onde não há orgulho, não há Gula, pois os gulosos se orgulham de suas condição e jamais admitem que o são, arrumam desculpas para
justificar a gula, não percebendo que na verdade são marionetes dos desejos. Onde não há orgulho, não há Ira, pois os iracundos se orgulham de não serem passíveis e jamais abaixam a cabeça diante de qualquer situação, são incapazes de permitir que a vida lhes proporcione lições de aprendizado e se revoltam com facilidade com aqueles que, segundo o próprio julgamento, não são perfeitos, não percebendo que na verdade sua ira são resultado de suas próprias imperfeições.
Onde não há orgulho, não há inveja, pois os invejosos sentem o orgulho ferido ao verem o sucesso alheio seja ele qual for, precisam constantemente superar os demais nas conquistas, não percebendo que na verdade são ferramentas da insegurança e da falta de amor a vida. Adeus.

Saíram todos sem olhar para trás, e ao baterem a porta, um fulminante raio de luz invadiu o recinto, e o casal, desintegrou-se. Dizem que viraram Anjos.


(Autor desconhecido)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

As Três Peneiras

AS TRÊS PENEIRAS
 
        Um rapaz procurou Sócrates e disse-lhe que precisava contar-lhe algo sobre alguém.

        Sócrates ergueu os olhos do livro que estava lendo e perguntou:

        - O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

        - Três peneiras?  - indagou o rapaz.

        - Sim !


        A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer aqui mesmo. Suponhamos que seja verdade.

      Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo? 

     Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar?  Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?
        Arremata Sócrates:
     
        - Se passou pelas três peneiras, conte !!! Tanto eu, como você e seu irmão iremos nos beneficiar.

         Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos, colegas do planeta.

Eterno (Carlos Drummond de Andrade)

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata!
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é segui-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber...
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na lista telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém e saber se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos e admitir que nos deixamos levar.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?”
Difícil é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. E aprender a dar valor somente a quem te ama.

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá...

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.


E é assim que perdemos pessoas especiais.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Limitação Humana

A maior limitação que homem pode ter na vida é o fato de ser analfabeto. Não saber ler é uma grande limitação na vida humana. A leitura pode fazer que o Homem conheça o que outro Homem pensa. Entretanto, o Homem que se limita a somente ouvir o que outro Homem fala morre na ignorância de todas as coisas.

Liberdade e Consciência

“Tudo o que aumenta a liberdade aumenta a responsabilidade, ser livre, nada mais grave; a liberdade é um fardo e todas as cadeias que ela retira do corpo ela as acrescenta à consciência. Na consciência, o direito se volta e se torna dever.” (Victor Hugo)

Medicina reconhece obsessão espiritual

Uma nova postura da medicina frente aos desafios da espiritualidade.
Vejam que interessante a palestra sobre a glândula pineal do Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, médico que coordena a cadeira de Medicina e Espiritualidade na USP:

A Obsessão Espiritual como doença da alma, já é reconhecida pela Medicina

Em artigos anteriores, escrevi que a obsessão espiritual, na qualidade de doença da alma, ainda não era catalogada nos compêndios da medicina, por esta se estruturar numa visão cartesiana, puramente organicista do ser e, com isso, não levava em consideração a existência da alma, do espírito.

No entanto, quero retificar, atualizar os leitores de meus artigos essa informação, pois desde 1998, a Organização Mundial da Saúde (OMS) Incluiu o bem-estar espiritual como uma das definições de saúde, ao lado do aspecto físico, mental e social.

Antes, a OMS definia saúde como o estado de completo bem-estar biológico, da alma; tinha, portanto, uma visão reducionista, organicista da natureza humana, não a vendo em sua totalidade: mente corpo e espírito.

Mas, após a data mencionada acima, ela passou a definir saúde como o estado de completo bem-estar do ser humano integral: biológico, psicológico e espiritual. Desta forma, a obsessão espiritual oficialmente passou a ser conhecida na medicina como possessão e estado de transe, que é um item do CID - O Código Internacional de Doenças que permite o diagnóstico da interferência espiritual obsessora.

O CID 10, item F.44.3 - define estado de transe e possessão como a perda transitória da identidade com manutenção de consciência do meio ambiente, fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença. Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões mediúnicas não são considerados doença. Neste aspecto, a alucinação é um sintoma que pode surgir tanto nos transtornos mentais psiquiátricos nesse caso, seria uma doença, um transtorno dissociativo psicótico ou o que popularmente se chama de loucura- bem como na interferência de um ser desencarnado, a obsessão espiritual.
Portanto, a Psiquiatria já faz a distinção entre o estado de transe normal e o dos psicóticos que seriam anormais ou doentios. O manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria - DSM IV - alerta que o médico deve tomar cuidado para não Diagnosticar de forma equivocada como alucinação ou psicose, casos de pessoas de determinadas comunidades religiosas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas, porque isso pode não significar uma alucinação ou loucura...

Na Faculdade de Medicina DA USP, o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, médico, coordena a cadeira (hoje obrigatória) de Medicina e Espiritualidade. Na Psicologia, Carl Gustav Jung, discípulo de Freud, estudou o caso de uma médium que recebia espíritos por incorporação nas sessões espíritas.
Na prática, embora o Código Internacional de Doenças (CID) seja conhecido no mundo todo, lamentavelmente o que se percebe ainda é muitos médicos rotularem todas as pessoas que dizem ouvir vozes ou ver espíritos como psicóticas e tratam-nas com medicamentos pesados pelo resto de suas vidas. Em minha prática clínica, (também praticada por Ian Stevenson) a Grande maioria dos pacientes, são rotulados pelos psiquiatras de "psicóticos" por ouvirem vozes (clariaudiência) ou verem espíritos (clarividência), na verdade, são médiuns com desequilíbrio mediúnico e não com um desequilíbrio mental, psiquiátrico. (Muitos desses pacientes poderiam se curar a partir do momento que tivermos uma Medicina que leva em consideração o ser integral). Portanto, a obsessão espiritual como uma enfermidade da alma, merece ser estudada de forma séria e aprofundada para que possamos melhorar a qualidade de vida do enfermo.

Texto de Osvaldo Shimoda
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Palestra Completa
Glândula Pineal - Dr. Sérgio Felipe de Oliveira Veremos confirmado aqui o que André Luiz nos disse, através de Chico Xavier, há setenta anos, sobre a glândula pineal (epífise).

FATALIDADE

Crê-se na morte o Nada, e, todavia,
A Morte é a própria vida ativa e intensa,
Fim de toda a amargura da descrença,
Onde a grande certeza principia.

O meu erro, no mundo da agonia,
Foi crer demais na angústia e na doença
Da alma que luta e sofre, chora e pensa,
Nos labirintos da filosofia ...

E no meio de toda as canseiras
Cheguei, enfim, às dores derradeiras
Que as tormentas de lágrimas desatam!...

Nunca, na terra, a crença se realiza,
Porque em tudo, no mundo, o homem divisa
A figura da dúvida que matam.

(Parnaso de Além-Túmulo,
Médium Chico Chavier,
Espírito Antero de Quental,
Ed. FEB - 2010)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ

Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia varias vezes destruída
Quem a reconstruiu tanta vezes?
Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que
a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma esta cheia de arcos do triunfo
Quem os ergueu?
Sobre quem triumfaram os Cesares?
A decantada Bizancio
Tinha somente palácios para os seus habitantes?
Mesmo na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada
Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu alem dele?
Cada pagina uma vitoria.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?
Tantas histórias.
Tantas questões.

(Bertold Brecht)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Homem, conheçe-te a ti mesmo


A humanidade enfrenta momentos importantes de grandes mudanças e transformações sociais que são abençoadas pelos ventos da liberdade, objetivando estabelecer novas regras de convívio harmonioso no planeta terra, regras voltadas ao amor fraterno entre as pessoas e os povos.
A ditadura de uma pessoa ou um grupo de pessoas corrompe a humanidade. Acreditamos que no cenário atual do nosso orbe terreno já não pode prevalecer as condutas patrimonialistas dos homens públicos. O ser humano não foi criado para ser subjugado por forças autoritárias que desejam reduzí-lo à condição análoga a de escravo. Somos seres livres e responsáveis pelas nossas condutas pessoais e agentes modificadores da sociedade. Entretanto, devemos assumir a nossa responsabilidade na estrutura do convívio social.
Quem sou eu? De onde eu vim? Para onde eu vou? São perguntas que nos convidam a perquirir sobre o sentido da vida, a personalidade, o destino, a dor, a luta pela sobrevivência, o sofrimento humano e muito outros temas intrigantes sobre o homo erectus.
Homem, conheçe-te a ti mesmo”. Mas como podemos realizar esta descoberta da nossa individualidade plena? Como podemos adentrar os enigmas da vida humana? Somos o quê, mero corpo material, ou temos uma origem espiritual?
Teixeira de Pascoaes afirmou que “o erro da sociedade “ era o de “ser um maquinismo em vez de ser um organismo” 1.
Como organismo, devemos ser vistos como um conjunto em que cada órgão tem igual valor para o todo, que cada órgão – parte do todo - é cuidado para o seu bom funcionamento e durabilidade do organismo. Nenhum órgão é descartável.
A vida representa uma grande oportunidade para intuirmos a essência humana. Entretanto, para termos êxito,  devemos superar a concepção de maquinismo, onde qualquer peça é descartável e substituída por outra, e intensificar a busca pela verdade, como uma meta da razão humana.
Descobrir-se a si mesmo, tal é o grito de desafio a nos afrontar.
O corpo social somente se modificará quando o homo erectus perceber a sua origem espiritual, e reconhecer que a primeira luta será transformar o seu ser, buscando atingir o homem integral que adormece no seu íntimo.
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1 - *maquinismo – qualquer peça é descartável e substituída por outra. O próprio maquinismo pode ser rejeitado e substituído por outro mais eficiente, mais produtivo.

* organismo – conjunto em que cada órgão tem igual valor para o todo, que cada órgão – parte do todo - é cuidado para o seu bom funcionamento e durabilidade do organismo. Nenhum órgão é descartável.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A GRAÇA DO PERDÃO

A GRAÇA DO PERDÃO
A graça do perdão não é forçada;
Desce dos céus como uma chuva fina
Sobre o solo: abençoada duplamente,
Abençoa a quem dá e a quem recebe;
É mais forte que a força: ela guarnece
O monarca melhor que uma coroa;
O cetro mostra a força temporal,
Atributo de orgulho e majestade,
Onde assenta o temor devido aos reis;
Mas o perdão supera essa imponência:
É um atributo que pertence a Deus,
E o terreno poder se faz divino,
Quando a piedade curva-se à justiça.
(SHAKESPEARE – O MERCADOR DE VENEZA)

O PERDÃO
O perdão humano é deveras difícil de ser concedido àqueles que nos prejudicam e magoam. Não devemos retribuir a injustiça por injustiça, nem fazer o mal a ninguém, independente do mal que tenhamos sofrido. A virtude de perdoar requer uma vontade firme de caminharmos rumo à renovação interior, buscando o homem novo que aguarda florescer em todos nós.
Somos impelidos pelo instinto a revidar qualquer ato de afronta ao nosso conceito de importância, respeitabilidade e imponência que acreditamos possuir. Nós acreditamos que somos merecedores de todas e quaisquer honrarias e manifestações de apreço. Entretanto, não agimos de forma tão cortês com o outro, quando somos prejudicados nos nossos mais simples atos e desejos pessoais, porquanto guardamos um alto conceito próprio, julgando a nossa imagem como a mais importante e que somos insubstituíveis nos ambientes que freqüentamos.
Grande ilusão. O egoísmo que nos envolve é a força que alimenta a nossa desdita imaginária frente a quem nos tenha ofendido. A Ofensa terá o tamanho e a importância que lhe concedermos.  O ódio e o rancor denotam uma alma sem elevação e sem grandeza; O esquecimento das ofensas é próprio da alma elevada, que está acima dos insultos que se lhe pode dirigir (E.S.E, p. 132)” . “O mérito do perdão é proporcional à gravidade do mal, não haveria nenhum (mérito) em relevar os erros de vossos irmãos, se eles não houvessem feito senão ofensas leves (E.S.E, p. 137).”
Shakespeare era um grande conhecedor da alma humana, de suas fraquezas e de seus males, e conhecia bem a força do perdão para a alma humana. Ele esclarece que “A graça do perdão não é forçada”, ou seja, deve vir de dentro da alma humana, como uma flor a desabrochar trazendo sua leveza e perfume a todos, igualitariamente.
“Abençoa a quem dá e a quem recebe.” Acreditamos que o maior beneficiado será aquele que conceder o perdão, pois retira de si toda causa de angústia e aflição que comprimiria sua alma, causando-lhe dor e sofrimento desnecessários.
“É mais forte que a força: ela guarnece o monarca melhor que uma coroa”. O perdão não retribui o uso da força com a força, como um atributo do orgulho ferido, Mas o perdão supera essa imponência, É um atributo que pertence a Deus”.  O perdão é uma força espiritual muito maior que qualquer força temporal e secular, com duração finita e limitada.
“E o terreno poder se faz divino, Quando, à piedade, curva-se à justiça.” Acreditamos que a Justiça Divina é responsável pela lei de causa e efeito, conduzindo-nos a receber conforme agirmos com o nosso próximo.  Nós somos responsáveis pelo mal que realizarmos, sendo que conforme a lei de causa e efeito, seremos causadores de nosso próprio infortúnio, se trilharmos o caminho da ofensa e do revide; ou, podemos nos libertar das amarras do ódio e do sofrimento, se concedermos “A GRAÇA DO PERDÃO”.
Finalizando, podemos afirmar que Shakespeare era uma alma que sem adentrar as visões e posicionamentos religiosos, pregava a doutrina do Homem Integral, que se encontra envolvido pela força do Kosmos.
1 – Kosmos: do grego antigo κόσμος, transl. kósmos, "ordem", "organização","beleza","harmonia") é um termo que designa o universo em seu conjunto, toda a estrutura universal em sua totalidade, desde o microcosmo ao macrocosmo. O cosmo é a totalidade de todas as coisas deste Universo ordenado, desde as estrelas, até as partículas subatômicas. Pode ser estudado na Cosmologia. O astrônomo Carl Sagan define o termo cosmos como sendo "tudo o que já foi, tudo o que é e tudo que será. (wikipedia)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

NIETZSCHE – INIMIGOS INTERIORES

(Adaptado da obra Humano, Demasiado Humano)
O Cristianismo prega que o homem é concebido e nascido no pecado. Portanto, o maior pecado do homem é ter nascido. Podemos compreender que para as religiões sectárias e pessimistas, o ato de procriação é considerado como mau em si mesmo, representando uma imoralidade a ser contida e combatida.
Durante muito tempo, teve-se como necessário que a sensualidade fosse declarada perniciosa e herética, sendo que o perigo da condenação eterna fosse tão estreitamente ligado à idéia da sensualidade que, muito provavelmente, durante muitos séculos os cristãos exerceram a sexualidade somente com muito remorso e com o fim precípuo de gerarem filhos.
Os pessimistas cristãos deturparam a natureza humana, associando ao elemento natural a idéia de inimigo interior. Criou-se uma guerra interna e uma constante alternância da vitória e da derrota. Para tanto, precisaram de um adversário, encontrando-o no inimigo interior, criando assim, na mente humana a idéia de pecado.
Empédocles, filósofo grego, não via nada de vergonhoso ou de diabólico nas coisas eróticas, pelo contrário, via em Afrodite a garantia que a discórdia não reinaria eternamente, mas que ela um dia iria entregar o cetro a uma divindade mais indulgente.
Entretanto, os pessimistas cristãos desejavam que outra opinião fosse dominante, povoando a solidão e o deserto espiritual da vida humana com um inimigo sempre vivo e universalmente conhecido, travando uma eterna luta e mantendo-se em constante penitência para combatê-lo e subjugá-lo, sempre sob as ordens da igreja.
Deve-se reconhecer como os homens se tornam piores por designarem como mau o que é inevitavelmente natural. Tal é o procedimento da igreja e dos metafísicos patrísticos que queriam que o homem se reconhecesse como mau e pecador por natureza, sendo necessárias forças sobrenaturais para livrá-lo do fardo do pecado. A intenção não era tornar o homem mais moral e redimido, mas que ele se sentisse o mais possível pecador, afim de que ele fosse mantido sob o domínio e julgo da Igreja.
Portanto, Nietzsche abriu os olhos do homem para visualizar o natural com um elemento simples e sem mistificação, retirando a idéia de pecado e de pessimismo de seu DNA genealógico. Deus, suprema bondade, que tudo criou para a harmonia humana, não fez da relação afetiva algo pecaminoso. A libertação de conceitos sectários e pessimistas plantados na mente humana, durante longos séculos, se faz necessária, visando à evolução plena do homem integral, voltado às verdades intangíveis da vida.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

SHAKESPEARE

ILUSÃO

"Ó ilusão, deixa em paz os meus sentidos!"

Shakespeare

( Noites de reis - Ato III, Cena IV : Viola)

O MITO E A FILOSOFIA

Por que tomamos o ilusório pelo real? Nas diversas divagações do meu ser, reconheço que a filosofia representa primordialmente a busca do saber, mais do que propriamente o saber adquirido em si mesmo. A Grécia é o berço do conhecimento racional, onde o conhecimento desvincula-se da religião e do mito. Pitágoras de Samos (582-497 A.C) foi o primeiro a utilizar-se do termo filósofo, mas com certeza não foi o primeiro filósofo. Podemos nomear também Tales, Anaximandro e Anaxímenes, considerados Pré-Socráticos, sendo que todos estes buscaram descobrir o princípio gerador do kosmos, que se trata da Arkhé, encontrável no mundo fenomênico, por isso estavam buscando a essência na Physis . O termo Kosmos (ordem, organização) se opõe ao termo Kaos (desordem e desorganização).
Quem é o responsável pela ordem do Cosmos? Quem controla a mundo fenomênico? Seria o controle realizado sob o comando de algo com sua essência na Physis? Os primeiros filósofos partiram do conhecido mundo físico para tentar explicar o princípio gerador do kosmos, que se trata da Arkhé. Os mitos e as respectivas narrativas mitológicas representam a forma fantástica que vigorava na época como instrumento de explicação do kosmos. As narrativas mitológicas são as primeiras experiências visando explicar o mundo, caracterizando-se como uma cosmologia insipiente, utilizando-se de critérios sobrenaturais (deuses, semideuses e heróis). Portanto, os mitos possuíam esse caráter explicativo, mas justapunha o real e o ilusório em um mesmo grau de importância explicativa da realidade. O mito representa a primeira tentativa de atribuir sentido ao mundo fenomênico.
Segundo Mondin (1982, p.11), o mito exerceu entre os povos antigos três funções principais: religiosa, social e filosófica. Primeiramente, o mito é o primeiro degrau no processo de compreensão dos sentimentos religiosos mais profundos do ser humano; é o protótipo da teologia. Mas, ao mesmo tempo, ele é também, aquilo que assinala e garante o pertencer a um grupo social e não a outro, pois pertencer a este ou àquele depende dos mitos particulares que alguém segue e cultiva. Finalmente, o mito exerce uma função semelhante à filosofia, enquanto representa o modo de autocompreender-se dos povos primitivos.
A filosofia surgiu como instrumento de racionalização e decantação do real e do ilusório, pois não mais se aceitava as narrativas mágicas como instrumento propulsor do saber. A filosofia busca a explicação raciocinada entre a causa e o efeito, contrapondo-se às explicações mágicas do mito. Portanto, Penso, logo existo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

POEMA "AMOR É UM ARDER, QUE SE NÃO SENTE"

Paulino António Cabral (Amarante, 6 de Maio de 171920 de Novembro de 1789), melhor conhecido por Abade de Jazente, foi um poeta português. Estudou Direito Canónico em Coimbra a partir de 1735 e licenciou-se em 1741. Foi nomeado abade de Jazente em 1752. Além de religioso, escreveu poesias. É personagem do romance histórico Um motim de há cem anos, de Arnaldo Gama. (WIKIPÉDIA).

O poema "Amor é um arder, que se não sente" é muito parecido com algumas parte da música Monte Castelo, de Renato Russo. É ler e comparar. Renato incluiu a informação de que a letra da música possui recortes do Apostolo Paulo e de Camões. Creio que o Abade de Jazente copiou Camões na sua inspiração. É ler e deleitar-se:


Amor é um arder, que se não sente
(Abade de Jazente)

Amor é um arder, que se não sente;
É ferida, que dói, e não tem cura;
É febre, que no peito faz secura;
É mal, que as forças tira de repente.
É fogo, que consome ocultamente;
É dor, que mortifica a Criatura;
É ânsia a mais cruel, e a mais impura;
É frágoa, que devora o fogo ardente.
É um triste penar entre lamentos,
É um não acabar sempre penando;
É um andar metido em mil tormentos.
É suspiros lançar de quando, em quando;
É quem me causa eternos sentimentos:
É quem me mata, e vida me está dando

SONETO Nº 5
LUIS DE CAMÕES

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Monte Castelo - Legião Urbana
Composição: Renato Russo (recortes do Apóstolo Paulo e de Camões).
Ainda que eu falasse
A lígua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.
É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.
O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem.
Todos dormem. Todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.
É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

domingo, 2 de janeiro de 2011

O QUE É ISTO, A FILOSOFIA?

O QUE É ISTO, A FILOSOFIA?
Que representa a filosofia? É uma das raras possibilidades de existência criadora. Seu dever inicial é tornar as coisas mais refletidas, mais profundas”. (Heidegger, m)
Podemos considerar que a filosofia parte do prodigioso conhecimento existente, não sendo um saber acrescentado ao conhecimento já adquirido. A filosofia pensa a realidade presente, que engloba o ser-no-mundo e o estar-no-mundo.
A Filosofia representa a ratio humana consistente no ato consciente de estar no mundo, pois “ou se deve filosofar ou não se deve, mas para decidir não filosofar é ainda e sempre necessário filosofar. Assim, pois, em qualquer caso, filosofar é necessário. (Aristóteles, protréptico. fr.51).
A filosofia pressupõe algumas características essenciais ao ser pensante, que se manifestam na admiração, na angústia, no medo e na coragem.
A admiração é característica essencial ao filosofo que se espanta frente a cada fato da existência humana, pois nada lhe é natural e tudo possui um sentido. Descartes considerava a admiração uma paixão filosófica, aduzindo que “a admiração me parece a primeira de todas as paixões”. (passions de l’âme, II, 53)
O espanto é a mola propulsora da filosofia. O questionamento do mundo surge mediante o sentimento de admiração, espanto e estupefação diante da existência do ser-no-mundo, aguardando uma explicação do seu estar-ai.
O que é isto, a vida? O que é isto, o mundo? Admiração e espanto são instrumentos impulsionando à busca de uma interpretação do “kosmos filosófico, criando sentido, organização e ordem para um certo “Kaos” sem um porquê.
A angústia é o nada de Kierkgaard, “se perguntarmos qual é o objeto da angústia, deve-se responder aqui como em toda parte: é o nada. A angústia e o nada marcham juntos”(Kierkgaard). A angústia revela a possibilidade de ser e a ameaça do nada. A humanidade revela-se na angústia da impossibilidade possível de sua existência, defendida por Heidegger.
A angústia revela-se ao ser, que se encontra impotente frente ao medo da morte, gerando seres frágeis e inautênticos que fogem da realidade. A morte, por sua vez, desnuda a existência como possibilidade privilegiada de ser possível. A niilidade da angústia conduz a um projeto libertador, mediante a busca autêntica da existência do ser-no-mundo.
O medo se encontra materializado na timidez, no acanhamento, na ansiedade e na impotência de vencer o mundo e lança seus tentáculos em nosso ser, querendo fazer domínio em nós. Entretanto, a admiração, o espanto e a angústia filosófica impulsionam a alma humana a superar o medo, caminhando rumo ao seu epicentro, destruindo-lhe as bases frágeis. O medo é o sentimento de impossibilidade frente ao desconhecido, que somente as luzes da razão supera.
A coragem é um sim à realização do ser-no-mundo; é a existência da possibilidade mediante o esforço, trabalho e tentativa, impulsionando-nos para a criação do nosso devir. A condição humana no mundo exige coragem como força propulsora para a criação e modificação da realidade, domando a maior fraqueza humana, o medo de ser autêntico.